A distância que nos separa é imensa, quase tangível. Tanto que até poderia caminhar sobre ela. O quê nos aconteceu? Se o sentimento era indizível, o amor indivisível? O que ocorreu em nosso caminho? Não há explicação, tampouco há destino nesta estrada mal formada entre nós. Não há canteiros que a enfeitem, somente buracos, quais do dia a dia normal de uma cidadezinha simplória e mal governada. Assim foi (ou é) nosso amor, que amor? Se somente eu te amei? Somente eu me doei. De que lado da estrada você estava a acenar sem compromisso para qualquer que lhe piscasse? De que lado da estrada me deixaste a esperar sem fim? Irias voltar? Nem me abandonaste, não é? Cansei de esperar e abandonei a mim em teu lugar!
A matéria-prima do poeta é a palavra e, assim como o escultor extrai a forma de um bloco, o escritor tem toda a liberdade para manipular as palavras, mesmo que isso implique romper com as normas tradicionais da gramática. Limitar a poética às tradições de uma língua é não reconhecer, também, a volatilidade das falas.