Tenho medo de me ausentar. Não de ausentar-me com a morte. Mas, de não querer participar – da vida. Este é o medo que me assombra, em alguns dias ou noites. Queria eu, poder ficar escondida lá no escurinho do meu travesseiro. E, estando lá, imaginar minha própria Utopia. Meu mundo perfeitinho, sem nada a temer. No entanto, quando me lembro que as montanhas não são de marshmallow e as árvores não são pirulitos, me recordo de tudo o que há no mundo real. E resolvo voltar. Lembro-me que o desafio é mais bonito que a perfeição. E me faço presente. Regina Célia Costa - 07/09/11
A matéria-prima do poeta é a palavra e, assim como o escultor extrai a forma de um bloco, o escritor tem toda a liberdade para manipular as palavras, mesmo que isso implique romper com as normas tradicionais da gramática. Limitar a poética às tradições de uma língua é não reconhecer, também, a volatilidade das falas.