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Linhas (inacabadas)




              Tenho medo de me ausentar.
       Não de ausentar-me com a morte. Mas, de não querer participar – da vida.
 Este é o medo que me assombra, em alguns dias ou noites. 
 Queria eu, poder ficar escondida lá no escurinho do meu travesseiro. E, estando lá, imaginar minha própria Utopia. Meu mundo perfeitinho, sem nada a temer. 
 No entanto, quando me lembro que as montanhas não são de marshmallow e as árvores não são pirulitos, me recordo de tudo o que há no mundo real. E resolvo voltar.
 Lembro-me que o desafio é mais bonito que a perfeição.
       E me faço presente.


                       Regina Célia Costa - 07/09/11

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Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo; outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim  é multidão; outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera;  outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta; outra parte  se espanta. Uma parte de mim é permanente; outra parte se sabe de repente.                Ferreira Gullar

Poeira!

Leva contigo esta densa poeira, Faça-me o grande favor! Não me engane, sei que se esgueira Para me causar terror! Pobre de ti, podre poeira! Tenta, sem conseguir, a mim, enganar! Faz de sua inútil vida, uma carreira, Tão torpe, que a si próprio vai esmagar! Pobre de ti, poeira podre! Antes, com alarde, causava-me sede E, hoje, seco e vazio está seu odre, Que seu mal tornou-se sua rede!

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Eu tenho hoje e amanhã. Porque ontem não me pertence mais. Quisera eu poder fechar os olhos e voltar. Voltar para a frente; naquele tempo era muito adiante o que hoje já é passado. Quisera eu poder fechar os olhos e sentir. Sentir o tempo não passar e assim extinguir o presente e o futuro; e nada se perderia. Quisera eu poder fechar os olhos e ouvir. Ouvir o silêncio do tempo que não quis tocar em mim. Mas, eu não posso fechar meus olhos. Ainda tenho o hoje e o amanhã!                   Regina Célia Costa, fiz para mim.