Pular para o conteúdo principal

Tolice

Tolice seria eu fingir
E iludir-me sobre o amor.
Esperando que se possa rir
Por já ter passado a dor.

Ah!Que absurdo, sim, seria
Nos seus passos eu andar.
Aí você é quem riria
Por, novamente, me enganar.

Por isso, é que sempre fujo
Dos doces sons de sua voz
Tal qual foge um marujo
De sua bela sereia algoz.

Faço-me, também, de cega
Para não ver seu belo sorriso.
Pois, é verdade, ninguém nega
Que é como ver o paraíso.

                   Regina Célia Costa

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo; outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim  é multidão; outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera;  outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta; outra parte  se espanta. Uma parte de mim é permanente; outra parte se sabe de repente.                Ferreira Gullar

Poeira!

Leva contigo esta densa poeira, Faça-me o grande favor! Não me engane, sei que se esgueira Para me causar terror! Pobre de ti, podre poeira! Tenta, sem conseguir, a mim, enganar! Faz de sua inútil vida, uma carreira, Tão torpe, que a si próprio vai esmagar! Pobre de ti, poeira podre! Antes, com alarde, causava-me sede E, hoje, seco e vazio está seu odre, Que seu mal tornou-se sua rede!

Agora

Sabe aquelas horas em que esquecemos As mais torrentes emoções? Aqueles momentos em que esmorecemos E ficamos em turbilhões? Me sinto assim, agora Nesta hora em que se ausenta. Peço-te: não vá embora! Eis meu amor, experimenta!                                         Regina Célia Costa