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Confissão

        
              O raio de sol cega minha visão
         Ofusca, com sua luz, meu viver.
         Só não mata em meu coração
         Esta angústia de te ter.

         Tento me desviar da claridade
         Que teima a mim proclamar:
         Que vai longe da mocidade
         O eterno amor a procurar.

         Mas, não posso da luz fugir
         Entrego-me inteira, quase derrotada.
         Em seus braços me vejo a sorrir.
         Sim, confesso-me por ti apaixonada

                        Regina Célia Costa, 06/10/2011


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Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo; outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim  é multidão; outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera;  outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta; outra parte  se espanta. Uma parte de mim é permanente; outra parte se sabe de repente.                Ferreira Gullar

Poeira!

Leva contigo esta densa poeira, Faça-me o grande favor! Não me engane, sei que se esgueira Para me causar terror! Pobre de ti, podre poeira! Tenta, sem conseguir, a mim, enganar! Faz de sua inútil vida, uma carreira, Tão torpe, que a si próprio vai esmagar! Pobre de ti, poeira podre! Antes, com alarde, causava-me sede E, hoje, seco e vazio está seu odre, Que seu mal tornou-se sua rede!

Agora

Sabe aquelas horas em que esquecemos As mais torrentes emoções? Aqueles momentos em que esmorecemos E ficamos em turbilhões? Me sinto assim, agora Nesta hora em que se ausenta. Peço-te: não vá embora! Eis meu amor, experimenta!                                         Regina Célia Costa