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Dois Mundos

E, se eu vivesse em dois mundos?
O que seria da minha verdade?
Uma divisão de desejos profundos,
E da involuntária luz da vontade.

E, se eu tivesse dois amores?
O que seria da minha unidade?
Um descarte completo de valores,
Em único e mero favor à vaidade.

Então? Devo extinguir a pluralidade
De um pensar tão absoluto?
Tratar-me, a mim, com adversidade
E aceitar um sentimento diminuto?

Não. Quero todos os meus 'plurais'
Quero meus anti-desejos reais!

                   Regina Célia Costa, 21/10/2011

Comentários

  1. nossa, parece que foi feito para mim, me sinto desse jeito.... rsrsrs
    Linda sua poesia - gosto de todas...

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Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo; outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim  é multidão; outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera;  outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta; outra parte  se espanta. Uma parte de mim é permanente; outra parte se sabe de repente.                Ferreira Gullar

Poeira!

Leva contigo esta densa poeira, Faça-me o grande favor! Não me engane, sei que se esgueira Para me causar terror! Pobre de ti, podre poeira! Tenta, sem conseguir, a mim, enganar! Faz de sua inútil vida, uma carreira, Tão torpe, que a si próprio vai esmagar! Pobre de ti, poeira podre! Antes, com alarde, causava-me sede E, hoje, seco e vazio está seu odre, Que seu mal tornou-se sua rede!

Quisera eu

Eu tenho hoje e amanhã. Porque ontem não me pertence mais. Quisera eu poder fechar os olhos e voltar. Voltar para a frente; naquele tempo era muito adiante o que hoje já é passado. Quisera eu poder fechar os olhos e sentir. Sentir o tempo não passar e assim extinguir o presente e o futuro; e nada se perderia. Quisera eu poder fechar os olhos e ouvir. Ouvir o silêncio do tempo que não quis tocar em mim. Mas, eu não posso fechar meus olhos. Ainda tenho o hoje e o amanhã!                   Regina Célia Costa, fiz para mim.