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Distância

A distância que nos separa
é imensa, quase tangível.
Tanto que até poderia caminhar
sobre ela.
O quê nos aconteceu? Se o
sentimento era indizível,
o amor indivisível?
O que ocorreu em nosso caminho?
Não há explicação, tampouco
há destino nesta estrada
mal formada entre nós.
Não há canteiros que a enfeitem,
somente buracos, quais do dia a dia
normal de uma cidadezinha simplória
e mal governada.
Assim foi (ou é) nosso amor, que amor?
Se somente eu te amei?
Somente eu me doei.
De que lado da estrada você estava
a acenar sem compromisso
para qualquer que lhe piscasse?
De que lado da estrada me deixaste
a esperar sem fim? Irias voltar?
Nem me abandonaste, não é?
Cansei de esperar e abandonei a mim
em teu lugar!

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Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo; outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim  é multidão; outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera;  outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta; outra parte  se espanta. Uma parte de mim é permanente; outra parte se sabe de repente.                Ferreira Gullar

Poeira!

Leva contigo esta densa poeira, Faça-me o grande favor! Não me engane, sei que se esgueira Para me causar terror! Pobre de ti, podre poeira! Tenta, sem conseguir, a mim, enganar! Faz de sua inútil vida, uma carreira, Tão torpe, que a si próprio vai esmagar! Pobre de ti, poeira podre! Antes, com alarde, causava-me sede E, hoje, seco e vazio está seu odre, Que seu mal tornou-se sua rede!

Agora

Sabe aquelas horas em que esquecemos As mais torrentes emoções? Aqueles momentos em que esmorecemos E ficamos em turbilhões? Me sinto assim, agora Nesta hora em que se ausenta. Peço-te: não vá embora! Eis meu amor, experimenta!                                         Regina Célia Costa