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Suplício

Toma-me, ó soberano amor!
Em seus braços quero ficar.
Dou-me, a ti, sem pudor!
Nos seus passos quero me guiar!

Esqueça! Suplico com fervor!
Deixe-me, agora, por favor;
Pois, quero estirpar o terror,
De tê-lo como único amor!

Não. Não sorrias deste modo para mim.
Não queira deter-me em seus braços,
Não houve começo, mas este é o fim
Não da vida e sim de nossos laços!

                    Regina Célia Costa

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Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo; outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim  é multidão; outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera;  outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta; outra parte  se espanta. Uma parte de mim é permanente; outra parte se sabe de repente.                Ferreira Gullar

Poeira!

Leva contigo esta densa poeira, Faça-me o grande favor! Não me engane, sei que se esgueira Para me causar terror! Pobre de ti, podre poeira! Tenta, sem conseguir, a mim, enganar! Faz de sua inútil vida, uma carreira, Tão torpe, que a si próprio vai esmagar! Pobre de ti, poeira podre! Antes, com alarde, causava-me sede E, hoje, seco e vazio está seu odre, Que seu mal tornou-se sua rede!

Quisera eu

Eu tenho hoje e amanhã. Porque ontem não me pertence mais. Quisera eu poder fechar os olhos e voltar. Voltar para a frente; naquele tempo era muito adiante o que hoje já é passado. Quisera eu poder fechar os olhos e sentir. Sentir o tempo não passar e assim extinguir o presente e o futuro; e nada se perderia. Quisera eu poder fechar os olhos e ouvir. Ouvir o silêncio do tempo que não quis tocar em mim. Mas, eu não posso fechar meus olhos. Ainda tenho o hoje e o amanhã!                   Regina Célia Costa, fiz para mim.