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Saudade

Às vezes, bate uma saudade...
Sei que não deveria sentir...
É pura ilusão de felicidade
Mas, ela bate e não me faz sorrir!

Vez em quando dá até para sentir o cheiro...
Não sei se doce, ácido ou, deveras, picante.
Sei apenas que o pensamento vem ligeiro,
E te deixa, que pena, com ar apaixonante!

Mas, sempre hei de me lembrar
De seu ato de fraqueza e mortificante
E, assim, a você não devo chamar
Em momento algum, de meu eterno amante!

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Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo; outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim  é multidão; outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera;  outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta; outra parte  se espanta. Uma parte de mim é permanente; outra parte se sabe de repente.                Ferreira Gullar

Poeira!

Leva contigo esta densa poeira, Faça-me o grande favor! Não me engane, sei que se esgueira Para me causar terror! Pobre de ti, podre poeira! Tenta, sem conseguir, a mim, enganar! Faz de sua inútil vida, uma carreira, Tão torpe, que a si próprio vai esmagar! Pobre de ti, poeira podre! Antes, com alarde, causava-me sede E, hoje, seco e vazio está seu odre, Que seu mal tornou-se sua rede!

Agora

Sabe aquelas horas em que esquecemos As mais torrentes emoções? Aqueles momentos em que esmorecemos E ficamos em turbilhões? Me sinto assim, agora Nesta hora em que se ausenta. Peço-te: não vá embora! Eis meu amor, experimenta!                                         Regina Célia Costa