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Desejo Vão

No infinito dos olhos teus
Há um abismo absoluto.
Pois, longe dos olhos meus
Teu coração se entrega ao luto!

Volta! Grita-me tua voz.
Escuto-te bem distante.
Minha lembrança é algoz
Deste amor vil e errante!

Queria poder lhe falar,
Da minha vontade inteira.
Mas é melhor a voz cerrar.

Não te amar é meu desejo.
Esqueço esta minha maneira,
No coração é por ti que latejo!

                              autoria: Regina Célia Costa

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Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo; outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim  é multidão; outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera;  outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta; outra parte  se espanta. Uma parte de mim é permanente; outra parte se sabe de repente.                Ferreira Gullar

Poeira!

Leva contigo esta densa poeira, Faça-me o grande favor! Não me engane, sei que se esgueira Para me causar terror! Pobre de ti, podre poeira! Tenta, sem conseguir, a mim, enganar! Faz de sua inútil vida, uma carreira, Tão torpe, que a si próprio vai esmagar! Pobre de ti, poeira podre! Antes, com alarde, causava-me sede E, hoje, seco e vazio está seu odre, Que seu mal tornou-se sua rede!

Agora

Sabe aquelas horas em que esquecemos As mais torrentes emoções? Aqueles momentos em que esmorecemos E ficamos em turbilhões? Me sinto assim, agora Nesta hora em que se ausenta. Peço-te: não vá embora! Eis meu amor, experimenta!                                         Regina Célia Costa