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Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim 
é multidão;
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera; 
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte 
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente.

               Ferreira Gullar

Comentários

  1. Parabéns amiga Regina. O seu blog está lindo. Vou ser um seguidor, e quero que siga também o meu:

    http://ivostainiclerks.blogspot.com

    Abraços.

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  2. Alô Regina, estou dando uma espiadinha na sua casa. Beijos

    ResponderExcluir
  3. Ivo Stainiclerks, que bom ter gostado do blog. Obrigada por seguir. Com certeza também o seguirei.

    ResponderExcluir
  4. A.J. Cardiais, espie sempre. A casa é nossa.
    Obrigada por seguir.

    ResponderExcluir
  5. Estou à procura de mais postagens bonitas... abraços.

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Poeira!

Leva contigo esta densa poeira, Faça-me o grande favor! Não me engane, sei que se esgueira Para me causar terror! Pobre de ti, podre poeira! Tenta, sem conseguir, a mim, enganar! Faz de sua inútil vida, uma carreira, Tão torpe, que a si próprio vai esmagar! Pobre de ti, poeira podre! Antes, com alarde, causava-me sede E, hoje, seco e vazio está seu odre, Que seu mal tornou-se sua rede!

Quisera eu

Eu tenho hoje e amanhã. Porque ontem não me pertence mais. Quisera eu poder fechar os olhos e voltar. Voltar para a frente; naquele tempo era muito adiante o que hoje já é passado. Quisera eu poder fechar os olhos e sentir. Sentir o tempo não passar e assim extinguir o presente e o futuro; e nada se perderia. Quisera eu poder fechar os olhos e ouvir. Ouvir o silêncio do tempo que não quis tocar em mim. Mas, eu não posso fechar meus olhos. Ainda tenho o hoje e o amanhã!                   Regina Célia Costa, fiz para mim.