Tolice seria eu fingir E iludir-me sobre o amor. Esperando que se possa rir Por já ter passado a dor. Ah!Que absurdo, sim, seria Nos seus passos eu andar. Aí você é quem riria Por, novamente, me enganar. Por isso, é que sempre fujo Dos doces sons de sua voz Tal qual foge um marujo De sua bela sereia algoz. Faço-me, também, de cega Para não ver seu belo sorriso. Pois, é verdade, ninguém nega Que é como ver o paraíso. Regina Célia Costa
A matéria-prima do poeta é a palavra e, assim como o escultor extrai a forma de um bloco, o escritor tem toda a liberdade para manipular as palavras, mesmo que isso implique romper com as normas tradicionais da gramática. Limitar a poética às tradições de uma língua é não reconhecer, também, a volatilidade das falas.